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Coerção social

Coerção social

14/10/2006 23:50

Eu fico profundamente sem sabor quando me deparo com coerção social negativa. Antes de prosseguir, é importante dar sentido às palavras: coerção significa coação, que pode ser o ato ou efeito de coar (passar através de -algo-). No sentido a que atribuo, coerção tem o sentido de alguém ser coagido por outrém. Negativa porque a coação teve conseqüência negativa do ponto de vista moral.

É comum ouvirmos alguém falando mal de outrem; aliás, muito comum: é na escola, é no inglês, é na informática, é no clube, é na balada... é em quase todo lugar. Nada pessoal, mas será que o que dizem mal por aí é realmente verdade?

Vou tomar como exemplo -de vários- um caso próximo a mim.

Tenho um professor cujo nome aqui será Fulano. No começo desse semestre, mal tive aula com o cidadão e ouvi uma garota que dizia a mim e a uma amiga que me acompanhava o seguinte: "O Fulano é do mal." Pensei comigo: "Pesado dizer isso, né?" Além do mais, o "é do mal" foi ratificado por outra garota, que estava próxima da que disse isso, sem contar as outras pessoas que já eram adeptas a essa idéia.

A princípio, porém, não acreditei nas tais palavras, porque não via nada do mal de que falavam a respeito desse cara. Mas por que falam isso? Não raro, alguém não se deu bem com o professor e, na primeira oportunidade de comentá-lo numa roda, soltou fétidos. Dessa forma, as pessoas que têm maior suscetibilidade para acreditar no que os outros dizem sem o antes tomar conhecimento devido, são influenciadas por essas informações fétidas, levianas, sem melhor profundidade. E é exatamente o que muito acontece, porque muitas pessoas, por impulsão e sem análise, acreditam na boca social e tomam-na como verdade.

De fato, nessa direção surge o preconceito, porque, tendo uma idéia pré-concebida, tendemos a olhar outrem com outros olhos, de outra forma e, não raro, notarmos mais seus defeitos, mais especificamente o que de mal ouvimos a seu respeito. Assim, esquece-se das qualidades e se pega aversão daquilo que poderia não se ter aversão. Há, dessa forma, coação, e negativa, porque nosso tratamento para com outrem dificilmente será como se sem preconceito (claro, há exceções). Deixamos de fazer coisas por conta do mal que vemos, passamos a criticá-lo sem ao menos conhecê-lo melhor, passamos a caminhar numa rua escura e sem fim.

Não demorou, e a garota que me acompanhava quando ouvimos o “é do mal” soltou em outra roda, ao falar do professor, algo bastante semelhante ao que ouvira há alguns dias. Não tive dúvida: a garota foi coagida pela opinião alheia sem tomar o devido conhecimento da informação que falava. Nem sequer procurou conhecer melhor o professor, afirmou e está afirmado. Mas é equívoco criticar sem conhecer de fato alguma coisa. É daí que vem a necessidade da ponderação em nosso dia-a-dia.

Analisando o professor melhor, ele tem de fato alguns desequilíbrios que o fazem ser mal interpretado pela sala, como se precipitar em dizer algo, mas isso não justifica “O Fulano é do mal”, “O Fulano é isso, o Fulano é aquilo”, porque errar é da natureza humana: TODOS ERRAM TODOS OS DIAS! Eu duvido que quem o criticou a princípio seja o ser perfeito do planeta Terra. Duvido! As pessoas erram, mas também cabe a nós compreendermos, perdoarmos, etc. Quem somos nós para ficar criticando o que não conhecemos objetivamente, tampouco subjetivamente? Portanto, conheçamos primeiro antes de afirmar um A. É uma pena que muitas pessoas são picadas todos os dias pela coerção social negativa e, por conseguinte, acabam difamando sem dignidade.


Não se associa um elemento a um conjunto. Ou seja, um erro (elemento) não justifica um conjunto de qualidades que uma pessoa tem –ou somos todos uma porcaria?

Extendendo a discussão, não devemos cobrar de outrem aquilo que tal não tem, porque, apesar de o termos conseguido com sofrimento, tempo, trabalho, entre outros em nossas próprias concepções, o outro talvez ainda não tenha chegado ideologicamente (ou em qualquer outro âmbito) aonde você chegou. Cabe a nós ajuda-lo a superar. Nós já superamos. Ele Precisa de nós.

*

SOM
Samba a dois - Marcelo Camelo

REFLEXÃO
"A estultícia é alegria para o que carece de entendimento (...)" (Provérbios 15, 21)

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Obrigado pelos comentários do último post.
Até a próxima.

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