adicionar aos favoritos | Lençóis Paulista/SP

10/01/2007 12:55
A palavra-chave é bloqueio. As pessoas costumam bloquear aquilo que as cerca, por diversos motivos: medo, receio, aversão, mas a questão de fundo é o ego, sem querer-lhe atribuir sentido estritamente negativo, mas em referência à funcionabilidade da vida.
Em psicologia, ego significa "núcleo da personalidade de uma pessoa"; "princípio de organização dinâmica, diretor e avaliador que determina as vivências e atos do indivíduo"; "de acordo com a segunda teoria freudiana, instância do aparelho psíquico que se constitui através das experiências do indivíduo e exerce, como princípio de realidade, função de controle sobre o seu comportamento, sendo grande parte de seu funcionamento inconsciente".
Comecemos com a segunda acepção, que é a de que o ego é "princípio de organização dinâmica, diretor e avaliador que determina as vivências e atos do indivíduo". Sendo assim, o ego, de certa forma, determina nossas posições, o que fazemos ou o que deixamos de fazer.
A segunda teoria freudiana esclarece melhor o ego, quando diz "[que ele exerce] função de controle sobre o seu comportamento, sendo grande parte de seu funcionamento inconsciente". Note que o ego está associado à inconsciência.
Inconsciência é o "caráter do que é feito de forma mecânica, irrefletida, sem a intervenção consciente da vontade; automaticidade"; inconsciente é aquele "que perdeu o conhecimento, que está privado de consciência (...)" Com isso, parte de nossos atos é fruto da inconsciência, da automaticidade. Logo, privado de melhor análises a respeito das coisas. Isso constitui um problema, porque nos é importante conhecer as coisas da vida, não apenas algumas coisas da vida.
Quer dizer: ao bloquearmos certos momentos, pessoas, idéias, etc (as coisas da vida) pelo nosso ego restringimo-nos, porque o bloqueio pode ser, e o é em muitas vezes, inconsciente, irracional. Restrição, sim, já que deixamos de conhecer outras coisas, outras possibilidades, outros horizontes.
A causa do bloqueio pode estar ligada a diversos condicionantes, principalmente ao receio de aderir a algo que não pode ser bem visto por nossos princípios que, por sua vez, estão associados aos princípios das pessoas com as quais nos relacionamos mais proximamente. Um amigo, por exemplo, não necessariamente o melhor, ou melhores, mas nossos amigos gerais e próximos. Assim, nosso círculo social pode nos restringir, de forma que nosso ego se acostuma com nosso ethos (que é, segundo a filosofia de Enrique Dussel, "a maneira como cada homem e cada cultura vivem o ser", em outras palavras é o conjunto de costumes e hábitos de nossa vida. Especificando, no caso, o ethos do nosso círculo de amizade.
Com o ego acostumado a um dado ethos, ele tende a não aceitar outras coisas, mudanças, ou melhor, o diferente a ele por alguma razão. É claro que muitos egos gostam do diferente, mas em geral eles se avertem por aquilo que é diferente aos nossos costumes e hábitos. Mas isso pode ser irracional, conforme citado acima. Portanto, bloqueiam o diferente por simples irracionalidade, o que não é justo. O que as outras coisas e pessoas têm não significa que sejam ruins, embora, de fato, haja exceções, mas aí é outra discussão. O que nos sugere que sejam ruins é nosso ego, acostumado com aquilo que faz parte de nosso ethos. O ego tem essa característica de apego, e por isso o egoísmo está associado ao apego.
Portanto, é importante que não bloqueemos aquilo que está ao nosso redor, com exceção das coisas que nos fazem mal, baseadas em nossos princípios morais, porque pode ser pura irracionalidade e preconceito, já que de fato as coisas são diferentes e não podemos exigir que o ethos dos outros seja igual ao nosso. Bloquear pode significar irracionalizar.
Contudo, o problema maior é que, pelo fato de bloquearmos algo, tendemos a liberar outro -irracional também, o que é pior. Apesar de nosso ego conduzir a limitações, quando bloqueamos algo restringimos nosso ser, que é feito para o não apegado, ao eterno, e por isso liberamos em outras coisas. Nosso ser é feito para tal, diria também ao infinito, porque, na medida em que não nos restringimos, a vida passa a fluir melhor. É só pensar, didaticamente, no fato de estarmos bloqueados externamente, por algemas, grades, etc. O que muda nesse caso é que o bloqueio é interno.
O liberar em outras coisas pode significar em seguir outros caminhos, já que quando bloqueamos criamos uma tensão interna ao nosso ser e esta cumula irracionalidade, de modo que os outros caminhos que tendemos a seguir sejam piores dos que já seguíamos. Seguir caminhos piores pode se traduzir em alcoolismo, por exemplo.
Portanto, a racionalidade é bastante importante, juntamente ao altruísmo (contrário de egoísmo), já que nos evita de decisões irracionais.
IMAGEM
Coloquei porque achei bonita. Porém, dá para fazer uma analogia com o texto: mas isso fica com você. =)
OBSERVAÇÕES E REFERÊNCIAS
- As significações das palavras foram tiradas do dicionário Houaiss.
- Este texto acima pode ser modificado, ainda estou maturando a idéia.
- Imagem: montagem de duas fotos. A foto retratando uma paisagem urbana, da cidade de São Paulo, foi tirada do endereço , em 10/01/2007. A outra foto, do meio natural, foi feita por Rodrigo.
*
Obrigado pelos comentários dos últimos posts.
*
Até mais!