adicionar aos favoritos | Lençóis Paulista/SP

23/12/2007 22:55
CONFISSÕES.
Quando eu posso mas não quero: o egoísmo¹.
Cheguei de um retiro em que aprendera que não há hora certa para amar as pessoas, para ajudá-las.
Saí com uma amiga minha comer cachorro quente e foi, de certo modo, bom, porque partilhamos brevemente nosso histórico de aproximação com a religião, o cristianismo, bem como nossas experiências de vida com Deus.
Ambos de nós já participamos de retiros do tipo que fui, mas esta minha amiga era mais experiente, porque houvera participado de outras experiência de natureza semelhante. O que quero dizer é que talvez ela também soubesse que, no cristianismo, no projeto do Reino de Deus, não há hora certa para amar, não há limites. O amor é um grande valor.
Continuemos: depois de termos lanchado, dirigimo-nos à sua casa (a casa dela). Logo depois de sairmos do carrinho de lanche encontramos um homem de uma pizzaria expulsando um bêbado que, pelo que ouvi da conversa --se ela refletia, também, uma verdade--, o bêbado pedira pinga. Senão, ele foi lá por algum motivo que não conheci.
O homem da pizzaria tirou-o de lá com as mãos. Teve, ao que parece, um certo vigor em sua atitude. Eu, vendo a situação, perguntei-me se deveria ajudar aquele bêbado e, passando por ele, fitei-o.
Eu e minha amiga não tomamos nenhuma atitude, apenas observamos. Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça depois de ter pensado em ajudar o bêbado foi um certo medo, do tipo "será que eu devo ajudá-lo? será que isso não trará encrenca?"
Eu não ter tomado atitude somou-se ao fato de minha amiga ter feito o mesmo.
Enfim, passamos pelo bêbado e não o ajudamos. Então, já era tarde ao que eu raciocinava, já que "para que voltar se não tomamos uma atitude na hora em que vimos a situação?" Bom, caminhamos e logo depois de passarmos o bêbado um silêncio abateu-nos por um curto período de tempo. Porém, logo puxei conversa para deixar de lado uma suposta situação estranha que havia se passado com nós.
Em minha cabeça, apesar de ter seguido passo à frente, eu me perguntava: "será que não era para nós termos ajudado aquele bêbado? será que eu não deveria tomar uma atitude já que minha amiga não tomou? o que aprendi no retiro foi justamente que não momento para amar quando se tem oportunidade.
Enfim nossa caminhado terminou e chegamos a casa desta amiga. Fiquei um pouco lá e parti para minha casa. Chegando em meu quarteirão percebi que em meu pensamento eu justificava o fato de eu não ter tomado uma atitude para com meu próximo, arrumando razões por eu não tê-lo ajudado. Mas, ao parar por um instante, antes de entrar no portão de minha residência, pensei algo no seguinte sentido:
"Estou me justificando para FUGIR daquilo que eu poderia ter feito. Se a situação fosse outra, numa em que eu pudesse me mover diante de alguma coisa que fosse de meu desejo pessoal, eu teria, talvez, tomado uma atitude positiva. Porque quando é para nós, nós nos movemos, fazemos o que podemos para satisfazer nossos desejos. O para o próximo? Mais ainda, para o próximo como um bêbado?"
Tudo bem que por vezes o bêbado não quer ajuda, ou é difícil de ajudá-lo pelo seu estado de embriaguez. Mas isso não me exime do fato de que eu PODERIA ter tomado uma atitude positiva. Mesmo assim, alguns hão de responder que eu não precisaria ajudá-lo, porque eu simplesmente PODERIA, o que configuraria uma possibilidade mas não uma efetividade, uma ação concreta. Mas esta resposta não satisfaz uma condição do começo:
- No cristianismo sempre é hora para amar quando se tem oportunidade². Justamente porque, entre outros, eu só sei se o meu passo para ajudar a vida de uma pessoa é frutífero na medida em que eu o experimento, na medida em que eu o testo. Mas na situação que menciono eu não experimentei!
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Acho que hoje tomei consciência um tanto plena, ou mesmo plena, de que a vida é uma descoberta.
NOTAS
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¹ Este texto foi escrito no início de novembro de 2007, em minhas anotações esporádicas em papel, que surgem quando sinto que preciso expressar aquele momento em especial.
² O cristianismo ao qual eu me refiro não é o cristianismo que vive nos jornais, na TV, na Internet, no censo comum etc. O cristianismo ao qual eu me refiro é o que se encontra na essência deste mesmo cristianismo, isto é, nos ensinamentos de Jesus Cristo, que é a cabeça da Igreja.
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FOTO: Todos conhecem, João Paulo II, já velhinho, um exemplo de amor e de santidade. O bonito é notar a pomba, que é um dos sinais visíveis de Deus na Terra, isto é, uma manifestação do Espírito Santo.
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MENSAGEM FINAL: Deu certo que esta mensagem calhou de ser transcrita para cá no dia da véspera de Natal. Só percebi isto quando terminei de escrever o texto. E foi oportuno para o momento. Nesse sentido, um bom Natal a todos! Que o verdadeiro significado desta data, referente a Cristo, que pode ser uma renovação de vida interior, seja vivido e lembrado por cada um. Para quem quer uma explicação de um filósofo brasileiro sobre o porquê de celebrar o Natal, acessem http://www.olavodecarvalho.org/textos/natal_2003.htm. Texto: “Por que celebrar o Natal?”